Os Brics na nova conjuntura de crise econômica mundial, por Paulo Roberto de Almeida | Mundorama

Os Brics na nova conjuntura de crise econômica mundial, por Paulo Roberto de Almeida | Mundorama.

O recrudescimento da crise econômica internacional, iniciada pelo estouro da bolha hipotecária, seguida pelas quebras bancárias nos Estados Unidos, em 2007 e 2008, agora sob a forma de esgotamento da capacidade de diversos países europeus – notadamente a Grécia, mas possivelmente Portugal também, podendo ainda repercutir sobre outros dois, maiores, Itália e Espanha – em manter os pagamentos de suas dívidas soberanas, em 2010 e 2011, suscitou em diversos observadores da imprensa especializada questionamentos sobre o papel dos Brics – Brasil, Rússia, Índia e China, agora acolhendo a África do Sul igualmente – nessa conjuntura de transição, eventualmente como novos atores de peso num eventual reordenamento da ordem econômica mundial. A imprensa nacional, sempre patriótica e grandiloquente, seguiu o coro de governistas entusiasmados com o fato de o Brasil não estar, por uma vez, envolvido ou ser o centro de alguma crise financeira, e passou a proclamar nossa nova condição de “emprestador de alguma instância”, além de repercutir, obviamente, “lições de economia” que os presidentes – o ex e a atual – ofereceram de graça (mas também sem qualquer resultado prático) a certos europeus, diminuídos em seu orgulho e convertidos em latino-americanos, por uma vez.

O objetivo deste pequeno ensaio, que adota uma perspectiva essencialmente realista, é justamente o de examinar a possibilidade da inversão de posturas econômicas, como a alegada ascensão dos emergentes e o declínio irresistível de países tidos por avançados. Como se constatará, as evidências não suportam essa hipótese, aventada em análises de cunho bem mais superficial do que fundamentadas em dados empíricos concretos ou apoiadas em um conhecimento apurado sobre o funcionamento efetivo dos Brics. Como diria Mark Twain, rumores sobre o declínio do centro e a ascensão da periferia são grandemente exagerados, inclusive porque a crise ainda não deu o seu último “suspiro”. Se e quando os Brics assumirem postura mais afirmada no quadro da economia mundial, isso dependerá essencialmente de seu desempenho individual, e não do fato de serem, ou não, Brics, que é um rótulo bem mais artificial, e de conveniência política, do que o resultado de ações concretas de coordenação econômica deliberada.

Existe um papel para os BRICS na nova conjuntura de crise político-econômica?

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Sobre José Ricardo Martins

Professor de Geoplítica no curso de Relações Internacionais da UNICURITIBA. Pesquisador do Núcleo de Pesquisas em Relações Internacionais (NEPRI) da UFPR; Mestre em Sociologia (área de concentração em Relações Internacionais/Integração Regional) pela UFPR; especialista latino-americano em Políticas Públicas e Avaliação de Educação Superior pela UNILA/UFPR; especialista em Geopolítica e Relações Internacionais pela UTP; MBA com ênfase em Marketing Internacional pela UCL – Université Catholique de Louvain, Bélgica; especialista em Comércio Exterior com ênfase em negociação internacional pelo Institut Cooremans, Bruxelas, Bélgica; licenciado em Filosofia pela Faculdade Bagozzi. Interessado em trabalhar com (e lecionar): relações internacionais, cooperação internacional, integração regional, internacionalização de entidades de ensino, organismos públicos, municípios e entidades da federação, geopolítica, estratégia e defesa nacional, negociação internacional e resolução de conflitos.
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